O Doente Oncológico em Fase Terminal
(Atitudes e Comportamentos dos Enfermeiros)
AUTOR: Rodrigo Nunes (Enfermeiro Graduado do Instituto Português de Oncologia de Coimbra Francisco Gentil, EPE)
ANO: 2000
INTRODUÇÃO
Cuidar do doente oncológico em fase terminal constitui uma das actividades
mais exigente e desgastante a nível físico e psíquico a que estão sujeitos os
profissionais de enfermagem requerendo maturidade profissional e estabilidade emocional face
à morte e à doença.
É, no entanto, comum encontrar enfermeiros que, incapazes de se libertarem do
seu próprio medo do cancro, do sofrimento e da morte, adoptam estratégias de fuga
argumentando muitas vezes falta de tempo e de disponibilidade para ouvir e estar
junto dos doentes.
Surgem então atitudes que se traduzem numa relação distante, fria,
desumanizada, que podem influenciar a motivação e a satisfação face ao trabalho com doentes
terminais, assim como a capacidade de planear e de prestar cuidados a estes doentes.
Foi por isso, que, como enfermeiro que cuida na sua prática diária de doentes
terminais, sentimos necessidade de abordar este tema por acharmos que a atitude e
o comportamento dos enfermeiros perante o doente oncológico em fase terminal é
de crucial importância para a excelência do cuidar e bem-estar destes indivíduos.
Desta forma, foram objectivos principais deste trabalho:
-Sistematizar conhecimentos sobre o doente oncológico em fase terminal e sobre
os Cuidados Paliativos em Oncologia;
-Reflectir sobre as atitudes e os comportamentos dos enfermeiros perante o
doente oncológico em fase terminal;
-Identificar alguns factores condicionantes da atitude e do comportamento dos
enfermeiros perante o doente oncológico em fase terminal;
-Perspectivar intervenções que possam conduzir à modificação ou
aperfeiçoamento das atitudes e dos comportamentos dos enfermeiros perante o doente oncológico
em fase terminal.
1. O DOENTE ONCOLÓGICO EM FASE TERMINAL
O cancro é actualmente uma das principais causas de morte nos países
industrializados, com tendência a aumentar, do qual Portugal não é excepção. Na opinião
de SCHWARTMANN (1991) este aumento deve-se fundamentalmente ao
envelhecimento da população e à acção de diversos agentes carcinogénicos como o
tabaco, carcinogénios industriais, etc.
Esta doença é vulgarmente associada a sofrimento, dor, incapacidade e morte
apesar dos avanços da investigação e da ciência que permitem não só curar muitos tipos
de cancro diagnosticados precocemente ou aumentar as taxas de sobrevivência dos
doentes a 5 anos bem como diminuir o sofrimento.
Contudo, muitas das formas de doença oncológica evoluem para uma situação
de doença terminal e morte.
Existem vários tipos de cancro: algumas formas que são fáceis de tratar, outras
mais difíceis, e outras que são impossíveis de dominar evoluindo inevitavelmente para
a morte.
1.1. CONCEITO DE CANCRO
Existem diversas definições de cancro sendo um termo usado alternadamente como tumor maligno, neoplasia ou doença oncológica.
BRUNNER e SUDDARTH (1993) referem que se deve considerar o cancro como um processo patológico que começa quando células normais do organismo originam células anormais por mecanismos de transformação pouco compreendidos. A medida que a doença progride, essas células anormais proliferam ainda restritas a uma pequena área. Entretanto, ocorre um estágio no qual as células adquirem características invasivas, aparecendo alterações nos tecidos adjacentes. As células infiltram esses tecidos e ganham acesso a vasos linfáticos e sanguíneos surgindo, então, metástases em outras partes do corpo. Embora o processo patológico possa ser descrito nos termos genéricos usados acima, deve-se salientar que o cancro não é uma doença única com apenas uma causa, ou seja, é um grupo de enfermidades diversas com diferentes causas, manifestações, tratamentos e prognósticos afectando os seres humanos onde quer que vivam e seja qual for a sua raça, cor, passado cultural ou situação económica (PHIPPS et al, 1990).
1.2. SIGNIFICADO DO CANCRO
O significado do cancro é muito diferente, consoante a idade do doente ou o
momento da vida em que o paciente teve conhecimento do diagnóstico.
Perante o veredicto da presença de uma doença grave como cancro, é
frequente assistir-se a manifestações de impotência, confrontação com a morte eminente
que podem ser traduzi das por reacções como o choque, a negação e a cólera perante
o médico que informou o diagnóstico mas depositando nele, ao mesmo tempo,
esperança de poder tratar e curar (QUEIRÓS, 1999).
Na opinião de MURAD e KATZ (1996), para uma pessoa idosa, o diagnóstico de
cancro geralmente significa medo de tornar-se dependente durante o curso da sua
doença.
No caso de uma pessoa mais jovem, o cancro significa um obstáculo aos seus
desejos e ambições, uma ameaça à sua carreira, sexualidade e família.
Para os adolescentes, surgem problemas psicossociais específicos, pois a
afirmação da sua personalidade depende em grande parte da identificação com o grupo a
que pertence. Os efeitos secundários provocados pela doença e/ou tratamento, como
a alteração da imagem corporal, podem interferir profundamente nesse processo.
Quanto às crianças, o facto de ter cancro geralmente provoca sentimentos variados como
a ansiedade de se separar dos pais, medo de se submeter a procedimentos
dolorosos, etc.
Para muitas pessoas, incluindo os profissionais de saúde, o cancro não é uma
doença como as outras, estando ligado a ideias e representações muito diferentes. A
imagem mental que é associada à palavra cancro inclui mutilação, dor, dependência,
rejeição, ansiedade e morte.
Segundo MURAD e KATZ (1996), ter um cancro significa uma pesada carga
emocional, de angústia e sofrimento, tanto para o doente, como para toda a sua família.
Na mesma linha de pensamento, RAIMBAULT (1985) considera que uma das
razões principais destas manifestações é o facto de, na verdade, não haver indivíduo que
não tenha tido, entre os amigos ou membros da família próximos ou afastados,
pessoas que sofreram de cancro e as tenha visto morrer.
Perante isto, é natural que o cancro continue a ser uma doença com conotações
assustadoras.
Apesar dos recentes progressos no tratamento do cancro, é certo que as
crenças sobre as suas terríveis consequências têm ainda fundamento e o doente a quem
acaba de ser diagnosticado um cancro enfrenta aterradoras possibilidades, como
sejam: doença incapacitante, mutilação, perda de uma parte importante do corpo, perda
de uma função fisiológica e morte (PHIPPS et al, 1990).
1.3. DOENÇA NEOPLÁSICA PROGRESSIVA E DOENTE TERMINAL
O doente depois de ser submetido a diversos exames complementares de
diagnóstico, consultas, internamentos mais ou menos prolongados e tratamentos de
cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, a maior parte das vezes mutilantes e agressivos,
vê-se confrontado com o facto de a cura ser um objectivo inatingível. Atinge-se a fase
terminal ou fase de cancro avançado "em que a morte se avizinha e em que pouco mais
há afazer do que estabelecer cuidados gerais"
GOMES (1993).
O conceito de fase terminal ou doença neoplásica progressiva como lhe chama
BARON (1996), não se encontra totalmente esclarecido, sendo esta fase frequentemente
associada à proximidade da morte mas que, no entanto, pode durar meses. Muitas
vezes é difícil avaliar o momento em que o doente passa dos cuidados curativos, aos
cuidados paliativos.
Aquele autor considera que para se compreender a fase terminal, é necessário
falar das diversas etapas por que passa o doente com cancro.
Assim, numa primeira etapa, as terapêuticas são orientadas com a finalidade de
obter a cura, o prolongamento da taxa de sobrevida ou a redução da massa tumoral.
Quando não é possível uma evolução clínica favorável, passa-se a uma segunda
etapa que é aquela em que esgotados os tratamentos com intenção curativa ou de
prolongamento da taxa de sobrevida, o doente tem uma esperança de vida de pelo
menos seis meses.
Durante esta etapa, o doente permanece quase assintomático, passando, no
entanto, muitas vezes, por um período intermédio, com sintomas invalidantes e má
qualidade de vida. Prevê-se que o doente tenha uma esperança de vida superior a dois meses
e é desejável aplicar-se terapêutica antineoplásica mas apenas com intenção paliativa.
BARON (1996) define o doente, nesta fase, como doente pré-terminal. A última
etapa é aquela em que o doente tem uma esperança de vida curta (inferior a dois
meses), apresentando falência de órgãos e sistemas e diversas complicações
irreversíveis finais entrando muitas vezes numa fase agónica, considerada por muitos autores
como as últimas 48 horas de vida (LICHTER e HUNT, 1990).
Perante o exposto, torna-se muitas vezes difícil definir doente como terminal ou
pré-terminal e saber qual é a actuação mais correcta em termos terapêuticos.
Para BARON (1996) existem, no entanto, alguns critérios diagnósticos importantes
da fase terminal (em Oncologia ou não):
-Doença de evolução avançada, progressiva e incurável;
-Estado geral grave (inferior a 4 na Escala de Karnofski); -Esperança de vida inferior
a seis meses; -Insuficiência de órgãos ou sistemas;
-Ineficácia comprovada dos tratamentos;
-Ausência de tratamentos alternativos úteis para a cura ou aumento da taxa
de sobrevida;
-Complicações irreversíveis graves finais.
Destes critérios, BARON (1996) destaca os três mais importantes para delimitar
o conceito de doente terminal: insuficiência de órgão ou sistema, ineficácia
comprovada dos tratamentos e complicações irreversíveis finais. Ao falarmos em doente
terminal temos que ter presente a diferenciação entre doente terminal, em que estão
esgotados os tratamentos de natureza curativa e se prevê que o doente tenha uma
esperança de vida de pelo menos seis meses, e doente terminal em fase final ou
agónica quando se prevê que a morte ocorra nas próximas quarenta e oito horas
(BARON, 1996) já que "estado terminal não é sinónimo de doente acamado nem de
pessoa incapacitada para o trabalho e para as relações sócio-familiares" (VIDAL e
VIDAL, 1993).
Em consonância com o exposto, GOMES (1993), considera doente terminal
aquele "para quem cessou toda e qualquer possibilidade de tratamento curativo e para
quem a morte é inevitável, dentro de um prazo de extensão variável".
Como vimos, definir doente terminal não é tarefa fácil. De uma forma concisa, e
de acordo com BARON (1996), podemos considerar que doente terminal é
"aquele que apresenta um estado clínico que provoca expectativa de morte a breve prazo".
Nesta fase da vida, os objectivos dos cuidados são determinados pelo doente e
pelo enfermeiro e não apenas por este último (AHYA et al, 2000), gerando-se um clima
de confiança e de aliança terapêutica.
Esta aliança terapêutica manifesta-se por um "acompanhamento na vida" do
doente, em que o enfermeiro deve demonstrar disponibilidade e capacidade de escuta
-escuta activa, bem como o conhecimento de algumas particularidades do doente
terminal como sejam as alterações físicas e diversos aspectos de índole psicossocial.
1.4. ASPECTOS PSICOSSOCIAIS DO DOENTE ONCOLÓGICO TERMINAL
O cancro é considerado cada vez mais um fenómeno não só biológico, mas
também psicológico e social e que, por esse motivo, pertence ao domínio da
investigação biopsicossocial.
"Para a maioria das pessoas, o cancro é uma doença como as outras. Está ligado
a ideias e representações muito diferentes. As emoções e as imagens suscitadas
pelo cancro, tanto nos que dele sofrem, como nos que dele falam, correspondem à ideia
do caranguejo." (ALARCÃO, 1989).
Apesar disso, poucas doenças causam maiores sentimentos de ansiedade e
apreensão do que o cancro.
Esta doença pode significar a morte para algumas pessoas, mutilação para outras,
e está sempre associado a medo, ansiedade e angústia para quem recebe um
diagnóstico de cancro e, consequentemente, da sua família e grupo de amigos. As lendas
que rodeiam a doença oncológica maligna, muitas vezes centradas na sua
incurabilidade, ajudam a aumentar os sentimentos de frustração, falta de esperança e medo.
BRUNNER e SUDDARTH (1993) referem que, após o estabelecimento do
diagnóstico, pode surgir uma maneira bastante eficaz e confortável de aceitar a doença que
é viver inteiramente voltado para o presente; planear e viver o dia-a-dia
proporcionando uma sensação de realização. Projectar ideias para o futuro acrescenta dúvidas e
temores. O doente, a partir desse ponto de referência, percebe que ainda existe e
adquire um sentimento de prolongamento da vida.
Na opinião de PHIPPS et al (1990), o enfermeiro deve ter consciência que a
reacção de cada pessoa perante uma situação de cancro é única, por isso não há
fórmulas fáceis para estabelecer um modelo ideal na relação com estes doentes. Existem,
no entanto, alguns princípios e valores que devem prevalecer e norte ar sempre a
relação enfermeiro/doente como seja o respeito pelo outro, princípio subjacente a todos
os actos de enfermagem, que nunca pode ser olvidado, independentemente de
quaisquer que sejam as convicções, valores espirituais e filosóficos, crenças e valores
dos enfermeiros ou doentes.
Para aqueles autores, a actuação de enfermagem é um desafio à criatividade,
aptidão e empenhamento do enfermeiro. Para poder ser eficaz como pessoa que
ajuda, o enfermeiro deve conhecer o impacto emocional que o diagnóstico do cancro tem
sobre o doente e a família porque esta reacção emocional afecta todos os aspectos
dos cuidados de enfermagem.
Situações como choque, negação, raiva, instabilidade emocional e ansiedade
são frequentemente acompanhados por distúrbios de sono, falta de concentração e
apatia. Estas reacções são habituais e podem originar distorções quanto ao prognóstico
e tratamento.
Para além destas manifestações, surgem frequentemente sentimentos de
angústia que poderão apresentar-se sob diversas formas como medo de ser culpado, medo
do castigo, medo da mutilação ou da dor e angústia de separação.
Juntamente com aquelas reacções, o doente terminal pode modificar de modo
significativo as relações familiares e sociais, necessitando de conviver com a
eventual perda do seu papel e importância familiar, social ou laboral conduzindo muitas vezes
ao isolamento social e familiar.
Segundo ALARCÃO (1989), citando Stembach, do ponto de vista psicológico a
afecção cancerosa dá-se ao nível do "eu", entendendo-se por "eu" a imagem
semi-inconsciente que o indivíduo fez de si próprio ao longo de toda a existência.
Psicologicamente, essa afecção constitui uma ameaça não só para a existência
física mas também, e na mesma medida, para o seu "eu", que sempre esteve
intimamente ligado à vivência corporal subjectiva. Perante isto, o doente oncológico necessita
de um grande suporte psicológico, especialmente sob dois aspectos: aprender a
viver com a sua doença, e depois no período terminal, aceitar o seu fim.
É precisamente nesta última fase da doença cancerosa, e à medida que a morte
se aproxima, que se verificam profundas implicações psicológicas e sociais para o
doente e família.
Na fase terminal surgem diversas emoções e sentimentos como a tristeza pela
perda, despedida e separação do mundo físico, medo da deterioração e da dor física, a
saudade, ausência de sentido da vida, abandono ou medo do desconhecido
(BARON, 1996).
Para este autor, existe um conjunto de necessidades psicológicas frequentes que
são mais ou menos comuns a todos os doentes terminais.
Assim, estes doentes têm necessidade de conseguir uma verdadeira relação de
confiança com a equipa de saúde; estabelecer uma comunicação aberta, honesta e
frequente com a equipa bem como com a família de modo a sentirem-se
acompanhados, compreendidos e ajudados.
O doente terminal precisa de expressar as suas emoções, e esclarecer as suas
dúvidas e preocupações. Necessita ter a garantia que a equipa de saúde fará o
maior esforço possível para minimizar os seus sintomas psicológicos e físicos, do qual a
dor é o mais importante, e perceber que é envolvido na tomada de decisões
sentindo-se útil.
Para além da dor e de outros sintomas físicos, importa dar igualmente importância
às convicções espirituais (religiosas ou não) e filosóficas do doente terminal que
orientaram a sua vida (GARCÍA e CORREA, 1997), aspecto que é muitas vezes esquecido.
Temos que ter presente que o doente em fase terminal pode experimentar
sentimentos de culpa, de punição, de dúvida contra a fé e de revolta contra Deus, em virtude
de não conseguir encontrar uma razão para o seu sofrimento (PIMENTEL, 1991),
mas por outro lado, a atenção espiritual pode ajudá-lo a encontrar a paz interior que
permita assumir a situação que está a viver, encontrar sentido para a vida nesta fase
de sofrimento desenvolver o seu processo de luto de modo a conduzi-lo a uma morte
em paz.
1.5. ALTERAÇÕES FÍSICAS DO DOENTE ONCOLÓGICO TERMINAL
Segundo ALARCÃO (1989), o cancro origina no organismo humano alterações
físicas visíveis como sejam a existência de fácies típico; diminuição de peso; anorexia;
a astenia, o olhar sem vida são alguns dos factos que o doente se apercebe e que
lhe produzem um aumento de ansiedade. Este aspecto da degradação física visível
conduz muitas vezes à perda da "auto-estima".
O sofrimento físico do doente com cancro avançado deve ser encarado como um
dos vários aspectos do sofrimento global, mas não isolado, que varia de doente para
doente e que constitui um aspecto importante que obriga a um tratamento urgente
e adaptado para que haja uma resposta positiva.
Já em 1860, Florence Nightingale, insistia no facto que se devem proporcionar
aos moribundos cuidados tanto do ponto de vista psicológico como fisiológico (GARCIA
e CORREA, 1997).
Para PIMENTEL (1991), "o sofrimento físico está intimamente ligado à patologia em
si, à sua localização, à sua extensão e às sequelas da doença e do tratamento".
De todos os sintomas físicos associados à fase terminal da doença oncológica, a
dor é o sintoma que os doentes com cancro avançado referem como o mais temido
estando presente em cerca de uma terça parte dos doentes oncológicos durante o
tratamento activo e em cerca de 90% na fase mais avançada da doença (BARON, 1996).
Para a IASP (International Association for the Study of Pain) citado por
GONÇALVES (1999), "dor é uma experiência sensorial
e emocional desagradável, associada a
dano tecidular real ou potencial ou descrita em termos de tal dano".
Esta definição reconhece e engloba ambos os factores físicos e psicológicos da dor, sugerindo que
pode muitas vezes ser necessária uma terapêutica combinada para a tratar. Aquela
organização define dor crónica como
"dor prolongada e persistente no tempo,
normalmente com difícil identificação temporal e/ou causal, proporcionando sofrimento. Pode
manifestar-se com várias características e gerar vários estádios patológicos. É uma
doença."
A dor nos doentes com cancro é progressiva e crónica sendo causada mais
frequentemente pelo processo tumoral em si mesmo. Surge principalmente associada
a metástases ósseas, compressão ou infiltração de nervos e envolvimento de
vísceras ocas.
A dor oncológica pode também ser causada pelos tratamentos usados como seja
a cirurgia, quimioterapia ou radioterapia ou devida a outras razões como sejam as
úlceras de pressão, problemas vasculares ou digestivos, etc. Para SANTOS (1998),
o tratamento da dor só é eficaz se o
"doente com dor" for encarado na sua
globalidade, no seu todo como ser humano com a sua personalidade e expressividade, com
valores culturais, psicossociais e religiosos, com uma família e amigos, ou seja, com
uma vida.
Para além da dor, existem outros sintomas igualmente importantes, como a astenia
e a anorexia, que podem ser predominantes e mais importantes e ou preocupantes
para o doente, do que a própria dor.
A Associação Espanhola Contra o Cancro, citada por SANTOS (1998), identificou
um conjunto de outros sintomas manifestados pelos doentes terminais como sejam
por exemplo:
-Sintomas digestivos: Anorexia, desinteresse por alimentos (sólidos e líquidos},
dificuldade progressiva na ingestão e deglutição, náuseas e vómitos, obstipação,
diarreia, obstrução intestinal, compressão gástrica;
-Sintomas respiratórios: Dispneia, estertor, secreções, tosse e hipos;
-Sintomas urinários: Dor abdominal e/ou uretral, retenção urinária,
incontinência urinária, espasmos vesicais;
-Sintomas neuropsicológicos: Confusão e delírio, dificuldade na comunicação,
ansiedade, intranquilidade e agitação terminal, depressão, insónias, paranóias,
alucinações, crises de medo e pânico, pesadelos;
-Outros sintomas: Perda de peso e caquexia, úlceras de pressão, debilidade,
desidratação, anemia, ascite, fístulas, fracturas, prurido generalizado, icterícia,
edema, linfedema, sudorese, espasmos musculares.
Na fase agónica da doença oncológica avançada, em que se prevê que a morte
ocorra em pouco tempo (horas ou dias), BARON (1996) refere que o doente apresenta
sobretudo:
-Astenia profunda;
-Perturbações do sono;
-Desinteresse ou dificuldade em se alimentar e hidratar;
-Anorexia;
-Dispneia e respiração estertorosa;
-Incontinência.
Associado à astenia; o doente encontra-se acamado a maior parte do tempo, pelo
que os posicionamentos, para prevenir o aparecimento de úlceras de pressão ou o
agravamento das já existentes, devem ser o menos frequentes possível podendo
mesmo suspender-se à medida que a morte se aproxima.
Os posicionamentos devem ser condicionados por possíveis factores
patológicos (metastização óssea, pulmonar ou ascite por exemplo) ou dor e se possível deve
respeitar-se a posição habitual do doente ou aquela em que o doente se sente
mais confortável.
Se existirem úlceras de pressão ou outras feridas, o seu tratamento deve ter
apenas em vista o conforto do doente, o controlo da dor ou o cheiro que possam produzir.
Para AHYA et al (2000), uma das intervenções mais significativas do cuidar no
contexto paliativo, diz respeito à manutenção da higiene corporal na medida em que
essa actuação contribua para o bem-estar do doente.
O tipo de higiene (total ou parcial) deve ter em atenção o estado do doente e
os sintomas que apresenta (dor ou dispneia por exemplo) evitando gestos que
contribuam para o desconforto ou agravamento da sua situação. Para além da higiene
geral, são extremamente importantes os cuidados à boca, que na fase final de vida se
encontra mais frágil, de modo a conservar as suas características fisiológicas, a
humidade e as suas funções evitando ou atenuando dores e odores que causam desconforto.
Outra manifestação frequente é a incontinência que surge numa fase terminal
avançada e que tem como consequência desconforto físico e psíquico para o doente. É
importante manter uma higiene cuidada de modo a limitar o risco de lesão
cutânea, induzir bem-estar, segurança e conforto e reabilitar a auto-imagem (AHYA et al, 2000).
Perante uma situação de incontinência urinária numa fase
agónica, poderá haver a necessidade de algaliação quando se verifique retenção urinária (pode causar dor
e agitação) ou quando a urina em contacto com feridas provoque desconforto e dor.
No caso da alimentação e da hidratação, AHYA et al (2000) referem que têm
subjacentes quatro finalidades: nutricional, psicológica, social e simbólica. Numa fase terminal
avançada, o doente apresenta anorexia, alterações gastrointestinais (náuseas,
vómitos, diarreia/obstipação), alterações do paladar ou mau estado da boca.
Perante este quadro a alimentação deve ser adaptada em quantidade, qualidade
e sem restrições, e dentro das possibilidades, de acordo com a preferência do
doente promovendo a presença dos familiares no momento das refeições podendo
inclusivé os alimentos serem trazidos confeccionados do domicílio.
Numa fase agónica é frequente o doente apresentar uma anorexia intensa ou
recusa em se alimentar sendo difícil os familiares aceitarem este facto.
Nestas situações o enfermeiro deve explicar que o doente não vai morrer por não
se alimentar, mas antes, não se alimenta porque está a morrer.
Qualquer procedimento, como a colocação de sonda nasogástrica, deve ser
negociada com o doente. Nesta fase, segundo AHYA et al (2000), são raras as indicações
para o fazer, porque este procedimento resultará em desconforto sem que se verifique
qualquer benefício.
Quanto à hidrataçào. na fase terminal da doença. o tema é muito controverso.
Aqueles autores referem que morrer de sede" é um fantasma para os
enfermeiros. Deve ser antes privilegiado o humedecimento da boca pela dor e desconforto
que pode provocar se se encontrar seca.
Tal como no caso da alimentação, devem ser fornecidos líquidos em quantidade e
a gosto do doente devendo ser a via oral a via de eleição.
Em certas Unidade de Cuidados Paliativos, numa fase agónica, a atitude é não
hidratar por rotina. A administração de soros é efectuada nas situações em que os sintomas
se podem atribuir à desidratação como por exemplo num estado confusional.
A desidratação é benéfica nesta fase pois diminui a insuficiência cardíaca, os
vómitos, a incontinência urinária, a ascite, a diarreia, a pressão intracraniana, aumentando
a sonolência e o conforto. Segundo AHYA et al (2000), a sensação de sede diminui
com a proximidade da morte pelo que a hidratação não influencia nem a
sobrevivência, nem o alívio de sintomas.
Um dos sintomas mais difíceis de controlar e mais angustiantes para um doente
em fase terminal e família é a dispneia.
As suas causas são múltiplas e irreversíveis pelo que nestes casos o tratamento
tem como finalidade aliviar a percepção da falta de ar.
Existem várias estratégias que podem ajudar a aliviar essa percepção como abrir
uma janela, a utilização de uma ventoinha, ou instalar o doente em posição
semi-sentada. O recurso a oxigenoterapia apenas transmite ao doente e família a sensação de
conforto por "estar ligado a uma fonte de vida"
(AHYA et al, 2000).
O enfermeiro deve tranquilizar o doente e família através de uma presença
regular, atenta e de uma escuta encorajadora, bem como colocar à disposição a
campainha esforçando-se por responder o mais rápido possível.
Pode ser vantajoso a administração de benzodiazepinas prescritas caso se esteja
em presença de uma componente ansiosa que agrave este quadro.
Quando o doente está em coma verifica-se muitas vezes polipneia acompanhada
de uma respiração muito ruidosa. Nestas circunstâncias a administração de
morfina endovenosa atenua estas manifestações.
Associada à dispneia na fase agónica, encontra-se a acumulação de secreções
nas vias respiratórias -estertor -devido à oscilação dessas secreções para cima e
para baixo, acompanhando os movimentos respiratórios, sendo uma das
manifestações que mais aflige a família.
Perante esta situação, é importante posicionar o doente, evitando o decúbito dorsal
e adoptando o decúbito lateral com a cabeça ligeiramente inclinada para a frente.
No estertor respiratório, a administração de anticolinérgicos ou atropínicos
prescritos atenuam o congestionamento brônquico e evitam aspirações frequentes (AHYA et
al, 2000).
Esta manobra deve apenas utilizar-se como último recurso e para remover as
secreções espessas do fundo da garganta quando provocam desconforto para o doente.
Outra das manifestações que surge na fase terminal é a alteração do padrão de
sono que é muitas vezes mal avaliada. Antes da administração de sedativos, o
enfermeiro deve avaliar qual ou quais os factores (ambientais, físicos ou psicológicos) que
podem contribuir para essa perturbação tais como dor, desconforto físico, ansiedade,
perturbações da eliminação, barulhos ambientais, medo da morte, etc.
Na perspectiva de AHYA et al (2000), sedar um doente é uma situação que
deve manter-se excepcional, salvo em situações de fim de vida quando o controlo de
certos sintomas se mostra impossível.
Como se verificou, um conhecimento adequado e integrado dos sintomas do
doente com cancro avançado e sobretudo um planeamento adequado a cada situação
visando essencialmente a antecipação dos problemas, são objectivos de quem cuida
destes doentes - o enfermeiro.
1.6. A MORTE E O LUTO NA FASE TERMINAL DA DOENÇA ONCOLÓGICA
Nascer é desde logo morrer um pouco e sempre foi a única certeza do Homem
(NEVES, 2000).
O Homem é, de facto, o único ser vivo que tem presente durante toda a vida a ideia
de morte, que acredita na sobrevivência, na continuidade e na imortalidade
(SOUSA, 1997).
Apesar dos avanços técnico-científicos e do aumento da esperança de vida, a
morte continua e continuará a ser uma ameaça ao sentimento de omnipotência do
Homem. Cada pessoa reconhece que a sua vida é limitada no tempo mas no entanto a morte
é recusada obstinadamente e é ainda hoje considerada um tabu na sociedade moderna.
Todos os doentes, durante toda a evolução da doença, mesmo na fase terminal,
recusam, de uma forma mais ou menos nítida, a sua morte sempre na esperança de
um medicamento novo, de uma cura milagrosa ou através do recurso a terapêuticas
alternativas.
A vivência da morte varia de sociedade para sociedade, de cultura para cultura,
de família para família e de indivíduo para indivíduo pelo que a reacção à ideia de
aproximação da morte é diferente de caso para caso.
Segundo RODRIGUES (1999), essa forma de reagir é influenciada por diversos
factores, dos quais se destacam: a idade do doente; o sexo; a sua personalidade; os
seus valores, crenças e atitudes; o tipo, localização e extensão da doença; as sequelas
da doença e dos tratamentos; o estilo de vida do doente; a sua interacção social; o
ambiente familiar e a posição que o doente ocupa na família; o seu modo de reagir face
aos problemas; a sua capacidade de verbalizar o que sente e as experiências
anteriores, vividas com pessoas que morreram de cancro.
Quem vai morrer sabe-o, espera pela morte e tenta preparar-se para ela, pelo que
não há pior destino que morrer brutalmente sem se aperceber (NEVES, 2000).
A preocupação de morrer permite a salvação da alma. A agonia é uma
oportunidade para o doente ter uma boa morte pelo que se reverte de extrema importância,
nesta fase, a presença da família e amigos mais próximos para que o processo de luto
se faça em comum.
KUBLER-ROSS (1998), concluiu nos estudos que realizou, que todos os doentes
perante a aproximação da morte, apresentam uma trajectória semelhante, ao
passarem por cinco estádios psicológicos diferentes:
Recusa ou Negação -é um estádio de choque, em que o doente recusa reconhecer
e aceitar a sua situação, o que pode levar ao isolamento.
A negação pode ser um valioso mecanismo de defesa para o doente, devendo
ser entendido e respeitado. Se o doente persistir indefinidamente nesta fase, o que
constitui uma atitude pouco adaptativa, pode requerer cuidados especiais.
Cólera -é um estádio de revolta, que se verifica quando o doente ultrapassa a fase
de negação e começa a enfrentar a morte, interrogando-se:
"Porquê eu?"
Nesta fase, o doente pode tornar-se difícil, intolerante e agressivo, fazendo recair
a sua ira sobre os que o rodeiam, deslocando e projectando a sua raiva contra a
equipa de saúde, contra os seus familiares e contra Deus.
Para que este período seja ultrapassado, o doente deve exteriorizar a sua ira e
as suas frustrações.
Negociação - neste estádio o doente tenta estabelecer um pacto, negociar uma
transacção, com Deus, com os que o rodeiam ou com a equipa de saúde. Tenta
conseguir um prolongamento do tempo de vida, uma diminuição da dor ou melhores cuidados.
É uma fase que habitualmente dura pouco tempo e em que o doente aparenta
serenidade, pensando na forma de negociar a sua morte a troco de alguma coisa.
Se o doente for crente, a ajuda religiosa neste período pode ser muito importante.
Tristeza ou Depressão -neste estádio o doente revela tristeza, mágoa e
angústia. Gradualmente ele toma consciência da sua situação e é incapaz de negar a sua
doença.
De início a depressão é reactiva. O doente verbaliza as suas manifestações e fala
das suas perdas passadas.
Posteriormente, pode seguir-se um período de silêncio, em que o doente se
torna mais calmo e a comunicação é sobretudo não verbal. Por vezes, ele não deseja
mais do que uma presença ou o toque de uma mão. O doente chora as perdas
futuras, começando a desprender-se de tudo e de todos (ROSADO, 1993).
A depressão é um estádio de duração muito variável, podendo ser moderada e
transitória, ou perdurar por um longo período de tempo e algumas vezes não ser
mesmo ultrapassável. Por vezes pode ser necessário apoio psiquiátrico. A resolução
desta fase leva ao estádio final.
Aceitação - neste estádio o doente passa a aceitar a sua situação. É um período
de calma e paz, em que o doente não está nem deprimido nem irritado, desejando
ficar sozinho e não se preocupar com os problemas do mundo externo. Nesta fase,
ele relembra o passado e contempla o futuro desconhecido.
Este modelo de Kubler-Ross pode ser muito importante, para se compreender a
psicologia do doente na fase terminal.
A autora refere que é indispensável a passagem duma etapa a outra, na ordem
indicada, para se chegar à fase de aceitação. No entanto, reconhece que alguns doentes
não efectuam a totalidade do percurso, assim como os cinco estádios podem não
surgir pela ordem cronológica indicada, ou pode também haver mistura ou sobreposição
de fases. O doente avança e regride, podendo estar em diferentes estádios num
dado momento. A duração de cada etapa também não está estabelecida, podendo ser
muito variável.
Segundo MARQUES et al (1991), só alguns doentes atingem a fase de
aceitação, podendo existir níveis flutuantes de negação e aceitação, que devem ser
identificados e respeitados.
Opinião semelhante têm MURAD e KATZ (1996), que consideram que a fase de
aceitação nem sempre é alcançada e quando isso se verifica, raramente é estável. No
que respeita à morte e ao morrer, SOUSA (1997) considera que com a evolução da
sociedade verifica-se uma cada vez maior industrialização que implica a dissolução
de comunidades rurais com as consequentes perdas de tradições e de referências
religiosas. Assiste-se cada vez mais à "dessocialização" da morte e do processo de morrer.
O mesmo autor considera que hoje em dia, na sociedade moderna, "morre-se
sem saber" porque não se é advertido, porque a morte não é reconhecida
espontaneamente. Não se tem tempo para morrer e a morte
"troca a casa pelo hospital".
Esta ideia é igualmente partilhada por SANTOS (1998) que considera que o
Homem impossibilitado de morrer em casa rodeado pelos familiares e amigos, morre
sozinho no hospital, sem ninguém para compartilhar os medos, as angústias ou até quem
sabe a felicidade.
Na opinião de BARON (1996), é muitas vezes na fase terminal, com a aproximação
da morte, que se dão reconciliações e perdões entre o moribundo e familiares ou
amigos que até aqui não foram possíveis pelo que as visitas, caso o doente assim o
entenda, devem ser mais frequentes num encontro profundo exigindo disponibilidade,
pausa, serenidade e privacidade.
A tomada de consciência da morte permite ao doente saber o que quer fazer
destes últimos momentos, o que quer ainda realizar para partir em paz.
A família pode organizar o seu tempo para a troca de palavras de gestos, de
atenções ligadas ao passado e presente comuns.
Estas manifestações constituem, após a morte, um património de recordações
preciosas que atenuam os remorsos e a culpabilidade que possam existir e contribuem
para que o trabalho de luto se faça de um forma progressiva atenuando a dor.
O luto pode ser considerado como a reacção normal à perda de uma pessoa ou de
um objecto de investimento e não uma doença (AHYA et al, 2000) sofrendo várias
etapas antes de permitir a energia suficiente para reinvestir na vida e promover
uma reestruturação equilibrada, começando muitas vezes com o diagnóstico de uma
doença grave como o cancro (QUEIRÓS, 1999).
Trata-se de um processo humano, doloroso mas dinâmico, que permite ao
indivíduo adaptar-se à perda e à separação de um amigo ou familiar. É psicologicamente
traumático mesmo para aqueles que esperavam a morte há muito.
Para aquela autora, no entanto, uma situação de doença terminal, dá
oportunidade para um ajuste gradual à perda eminente.
Quando a situação clínica apresenta sintomas físicos graves ou deterioração
mental do doente oncológico, a morte deixa de ser uma inimiga para passar a
desempenhar para técnicos e familiares, como o único meio libertador do sofrimento.
O acompanhamento no processo de luto que se inicia antes e continua após a
morte do doente é uma necessidade sempre que os elos afectivos estabelecidos foram
significativos ou ele seja solicitado de modo a evitar um luto patológico
(STEDEFORD, 1988).
Nos países anglo-saxónicos existem mesmo serviços de apoio ao luto quer ligados
a hospícios quer independentes articulando-se ambos com a assistência social, os
centros de saúde e as paróquias uma realidade bastante diferente da nossa.
2. CUIDADOS PALIATIVOS EM ONCOLOGIA
A prática de Cuidados Paliativos existe há vários séculos. No entanto, só nestes últimos anos sofreu um desenvolvimento e um incremento acentuados sobretudo depois da descoberta do vírus da SIDA e da cada vez maior incidência de cancro na população mundial com o consequente aumento do número de doentes terminais associados a estas duas doenças.
A noção de Cuidados Paliativos, principalmente a partir da década de 90 tende a ser substituída pela de Cuidados Continuados procurando evitar-se a descontinuidade entre o curativo e o paliativo. (AHYA et al, 2000)
2.1. HISTÓRIA E EVOLUÇÃO
Apesar de nos dias de hoje se falar muito em Cuidados Paliativos, a preocupação
em cuidar dos doentes moribundos não é recente. Esta tarefa era geralmente atribuída
às Ordens ou a movimentos ligados a confissões religiosas que o faziam por caridade
em hospícios.
Na verdade o hospício surgiu em tempos muito antigos da história. A palavra
hospício deriva da palavra latina "hospes"
que significa anfitrião e/ ou hóspede e designava
o costume Romano e Grego de acolher viajantes. Segundo Reisman, citado por
BARON (1996), há referências de hospícios no ano 400 d.C. em Itália para o acolhimento
e presenteamento de viajantes peregrinos vindos principalmente de África.
Na Idade Média os peregrinos que viajavam à Terra Santa deram origem na sua rota
a hospícios adjacentes aos mosteiros.
A partir do século XII começam a existir fora dos mosteiros. No século XV, o
desenvolvimento da anatomia e cirurgia deixa os doentes agudos nas mãos dos médicos e
os doentes crónicos nas mãos de monges e freiras. São Vicente de Paulo, com as
Irmãs da Caridade em 1600 funda uma rede de hospícios em França para cuidar dos
doentes mais pobres e necessitados e fundou hospícios por todo o território francês.
Em França no século XIX (1842) surge o conceito de hospício nos cuidados
especiais ao moribundo numa instituição fundada por uma jovem viúva, Jeanne Garnier,
uma organização laica conhecida como Mulheres do Calvário. Estas mulheres abriram
primeiro em Lyon e depois por toda a França, hospitais para doentes com cancro.
Em 1894 é introduzida a organização das Mulheres do Calvário em Nova York.
De início davam assistência a doentes com cancro em suas casas.
Na mesma época uma monja irlandesa funda em Dublin um centro para cuidar
de doentes incuráveis e moribundos o "Our Lady's Hospice" e em Londres abrem
dois hospícios: o St. Luke's, hoje conhecido por Hereford Lodge e o Hostel of God
hoje Trinity Hospice.
Nos Estados Unidos da América, em Nova York, no ano de 1899, abre o
primeiro hospício.
Presentemente, na zona nordeste de Bronx, existe o Calvary Hospital que oferece
um serviço para 200 doentes, além do serviço de ambulatório e programa para os
cuidados domiciliários.
Nos anos 50 com o estabelecimento da Fundação de Marie Curie em Inglaterra
dão-se grandes avanços no cuidado ao doente terminal proporcionando-lhe
apoio domiciliário em casas para o efeito -centros de dia.
Em 1967 os Cuidados Paliativos sofrem grande impulso no Reino Unido com a
criação do St. Christopher's Hospice de Londres, pela Dr Cecily Saunders, que se
iniciou como enfermeira, para procurar dar resposta à dor e ao sofrimento na fase mais
avançada da doença oncológica em instituições próprias onde o afecto que as pessoas
recebem no seio da família continuasse a ser dado aos doentes (BARON, 1996),
resultando o direito de todo o doente a uma morte digna e pacífica.
Pode-se considerar que os Cuidados Paliativos tiveram origem neste movimento
que tem vindo a desenvolver-se em muitos países, constituindo mesmo
especialidade médica no Reino Unido.
Mais recentemente, em 1988, é criada a Associação Europeia de Cuidados
Paliativos promovendo o alargamento do movimento à Europa que conheceu um impulso
importante em 1995 com a Declaração de Barcelona, divulgada em Portugal no ano
seguinte pela Direcção Geral de Saúde (DGS, 1996).
Ainda em 1995, foi constituída no nosso país, a Associação Nacional de
Cuidados Paliativos.
Em Maio de 1996 é inaugurada em Portugal a primeira unidade hospitalar
(Unidade de Cuidados Continuados do Centro Regional de Oncologia do Porto do IPOFG)
destinada exclusivamente a cuidar de doentes oncológicos em fase terminal
construída de raiz pela Liga Portuguesa Contra o Cancro-Núcleo Regional do Norte (UCC
do CROP, 1998).
Já este ano, em 28 de Fevereiro, entra em funcionamento o Serviço de
Cuidados Paliativos do Centro Regional de Oncologia de Coimbra do IPOFG, igualmente
destinado exclusivamente a cuidar de doentes onco1ógicos em fase terminal.
2.2. CONCEITO DE CUIDADOS PALIATIVOS
São vários os conceitos de Cuidados Paliativos. Para GONÇALVES (1996) são
"cuidados totais e activos prestados aos enfermos cuja doença já não responde ao
tratamento curativo, com o objectivo de obter a melhor qualidade de vida possível até
que a morte ocorra, controlando a dor e outros sintomas e integrando aspectos
psicológicos, sociais e espirituais nesses cuidados
(...) ".
Segundo Doyle citado por PIMENTEL (1991), os Cuidados Paliativos
caracterizam-se por:
-Serem cuidados activos e não passivos;
-Serem cuidados planificados;
-Necessitarem de um bom conhecimento da doença e complicações;
-Basearem-se na confiança;
-Basearem-se num profundo trabalho em equipa, na qual cada elemento tem um
papel importante a determinado momento;
-A sua prática dever generalizar-se, dentro de sistemas de cuidados de saúde
adaptados às necessidades locais;
-Deverem incitar aqueles que os praticam a compreender os que não os conhecem
e a contribuir para a sua formação.
AHYA et al (2000) apresentam uma definição situando
"a abordagem paliativa no contexto de cuidado global dos doentes em fase avançada ou terminal",
considerando os Cuidados Paliativos como cuidados activos numa abordagem global da pessoa
atingida por uma doença grave, evolutiva ou terminal. O seu objectivo é aliviar as
dores físicas, assim como os outros sintomas tendo em conta o sofrimento psicológico,
social e espiritual.
Definição semelhante foi adoptada pela OMS (Organização Mundial de Saúde),
em 1990 que considerou Cuidados Paliativos como o
"cuidado total a doentes cuja doença não responde ao tratamento activo com finalidade curativa".
De todos os conceitos, optou-se por este último por se tratar da autoridade máxima
de saúde a nível mundial que "consciente da magnitude do problema, conhecedora
do incremento actual e futuro na incidência do cancro e advertida do abandono actual
do doente terminal, inclui os cuidados paliativos como tema prioritário no seu
programa de Controlo Global do Cancro" uma vez que cerca de 90% dos doentes terminais
são doentes com neoplasia avançada (BARON, 1996).
2.3. FILOSOFIA E PRINCÍPIOS
Falar da filosofia e princípios dos cuidados paliativos é falar de cuidados globais
devendo englobar todas as vertentes (física, emocional e espiritual) do doente e
família, em que o homem é abordado de uma forma holística, tendo em conta a
preservação da sua dignidade.
Apesar de na fase terminal da doença não ser possível a cura, o tratamento não
deixa de ser activo já que a sua finalidade é o controlo de sintomas que produzem
sofrimento, como a dor, principal sintoma dos doentes oncológicos em fase terminal, e
que pode interferir noutras vertentes tais como as emocionais, comportamentais,
sociais, espirituais, religiosas e até econórnicas.
Na opinião de CALAMARI (1996) a filosofia e os princípios básicos dos
Cuidados Paliativos assenta no pressuposto do não-abandono dos doentes, ou seja, há
sempre algo a fazer no acompanhamento do doente terminal contrapondo-se aquela
expressão de "que não há mais nada a fazer.
Consciente da importância da actuação dos profissionais de saúde na fase
terminal da doença, a Sociedade Portuguesa de Medicina Paliativa (SPMP, 1996),
reconheceu a necessidade de estabelecer princípios fundamentais em Cuidados Paliativos
tais como:
-Assegurar qualidade de vida aos doentes até ao fim da vida é o principal objectivo;
-Tratar a dor, tanto dor física como o medo, a angústia ou a depressão; -Aliviar
os sintomas como as náuseas, dispneia, obstipação, que habitualmente acompanha
a dor;
-Assegurar a comunicação entre profissionais, doente e família, ouvindo as suas
questões partilhando a sua angústia, mas ajudando a manter uma "esperança realista";
-Envolver a família no tratamento do doente, mas apoiando-se nas suas fragilidades;
-A importância do apoio espiritual, mas não necessariamente religioso;
-O luto é doloroso pelo que frequentemente as famílias necessitam ser apoiadas
nesta fase;
-A investigação é essencial para um aperfeiçoamento terapêutico bem como a
formação tanto dos profissionais como do público em geral.
Como se pode deduzir destes princípios, os Cuidados Paliativos assentam
fundamentalmente segundo SANTOS (1998) nos seguintes pilares:
-Concebem-se sempre no seio de uma equipa multidisciplinar. Esta equipa
necessita de grandes tempos de comunicação entre si, o "face a face" de modo a partilhar
a informação porque dados os custos psicológicos que a proximidade com estes
doentes acarreta, ela própria tem de se organizar de modo a auto gerir a livre expressão
do sentimento de cada um dos seus elementos.
-A abordagem paliativa pressupõe um cuidar centrado no dia-a-dia. Procura
melhorar o "conforto" da pessoa doente, acompanhá-la na sua caminhada, mas
acompanhar também quem o rodeia;
-Os Cuidados Paliativos escutam as queixas de quem é tratado e privilegiam o
tratamento sintomático para aliviar essas queixas;
-A abordagem paliativa favorece a relação prestador (enfermeiro)/receptor
(doente) centrada na escuta.
É muito importante saber escutar. Escutar é constatar não só através do sistema
auditivo mas também aceitar o facto de se deixar impregnar pelo conjunto das
percepções externas e internas, daí que se pode considerar que escutar é diferente de ouvir. E
um processo activo e voluntário enquanto ouvir limita-se à utilização do sistema
auditivo. Para finalizar, pode-se considerar que os Cuidados Paliativos são o
acompanhamento total do doente -acompanhamento físico, psicológico, social e espiritual de modo
a proporcionar uma melhor qualidade de vida que lhe resta, quando já não é
possível responder-lhe com eficácia em termos curativos.
Com o ressurgimento dos Cuidados Paliativos volta a fazer sentido a expressão
de Osler citado por BERNARDO (1999):"Curar às vezes, Aliviar com frequência,
Consolar sempre".
Os Cuidados Paliativos dão primazia à interligação entre os cuidados técnicos e
as relações humanas, adaptando estes dois aspectos às necessidades de cada
indivíduo.
2.4. ASPECTOS ÉTICOS
A impossibilidade de cura de uma doença grave como o cancro é inerente à
própria natureza humana, pois a morte é um processo que faz parte da natureza do Homem.
"Nas várias idades da vida, há um tempo de morrer: é a última fase do crescimento
que ninguém poderá viver sozinho pois está quase totalmente dependente do ambiente
e dos cuidados que lhe são proporcionados por outrém"
(SANTOS, 1998).
No relacionamento com o doente não está presente apenas o diagnóstico e a
cura mas também o cuidar e o alívio dos sintomas quando aquela não é possível.
Este facto apela a que os intervenientes na área dos cuidados de saúde possuam
uma preparação especial para além da necessária preparação técnico-científica que
não deve deixar de ser realçada.
Tal como os aspectos técnicos, as habilidades, e os conhecimentos científicos
também os aspectos humanos do cuidar não podem ser improvisados.
Aliviar o sofrimento ou ajudar um doente terminal a morrer é uma das tarefas
mais difíceis para um enfermeiro. A renúncia em curar não pressupõe um fracasso, mas
sim um reconhecimento dos próprios limites da técnica (GARCIA e CORREA, 1997).
Perante isto, um enfermeiro necessita de saber lidar saudavelmente com os
inevitáveis problemas relacionados com os dias longos da doença e ainda mais com
os últimos tempos da pessoa.
Como refere SANTOS (1998), é neste tempo de morrer que o saber e a arte se
devem articular de uma forma harmoniosa para ajudar a pessoa em fase terminal a
enfrentar as grandes questões interiores à morte e que constitui um conjunto de problemas,
cuja resolução o mundo da saúde cada vez mais propõe à racionalidade dos seus
profissionais.
O desenvolvimento das técnicas de reanimação cardio-respiratórias e os avanços
científicos em diversas especialidades de que são exemplos a Cardiologia ou a
Oncologia, conduziram ao aparecimento de novas situações clínicas que suscitam graves
problemas éticos, principalmente quando é necessário decidir se é conveniente aplicar
certa técnica ou procedimento a determinados doentes.
Sem a preocupação de ser exaustivo, passar-se-á de seguida à sistematização
alguns dos principais problemas éticos em Cuidados Paliativos como sejam:
-INFORMAÇÃO E VERDADE É consensual que deve existir o máximo respeito
pela autonomia e capacidade de decisão do doente no processo em que ele é o
protagonista. No entanto esta é uma situação que está longe de obter esse consenso, quer
da parte dos profissionais de saúde, quer da parte dos próprios doentes.
A informação facultada ao doente, por parte dos profissionais de saúde, tem
constituído um verdadeiro dilema ético, principalmente quando se trata da revelação da
verdade relativa à sua situação clínica. Por esse facto, as discussões sobre a
conveniência ou não de transmitir a verdade ao doente, nunca alcançaram uma uniformidade
de critérios, sendo esta divergência fundamentada por diferentes correntes de
pensamento.
Quanto aos doentes, há os que querem saber toda a informação possível quer
sobre a doença quer sobre o tratamento, na expectativa de que essa informação os ajude
a lidar com a doença, quer com os efeitos do tratamento. No pólo oposto
encontram-se os que preferem nada saber ou saber o menos possível depositando tacitamente
na equipa toda a responsabilidade pela tomada de decisões.
Perante esta dualidade de atitudes e situações intermédias, é impossível existir
um modelo único de intervenção.
Esta questão assume um carácter de maior pertinência, no caso dos valores e
expectativas do enfermeiro chocarem com as responsabilidades na prestação de
cuidados no contexto dos requisitos éticos da sua prática profissional, como seja a recusa
de cuidados por parte do doente.
A recusa de cuidados, não deve contudo, em caso algum, significar o abandono
do doente, mas sim um respeito pela sua autonomia de decisão como pessoa
responsável.
-OBSTINAÇÃO TERAPÊUTICA (distanásia). Perante a pessoa doente, quando já
não é possível responder com eficácia em termos curativos, importa continuar a
acompanhá-lo de maneira a proporcionar-lhe a melhor qualidade de vida até ao último dia,
no respeito pelos seus valores culturais e pelas normas éticas como seja o respeito
pela dignidade humana, aceitando a morte como uma evolução natural da doença e
não como um fracasso da ciência.
A distanásia, ou seja, a aplicação de terapêuticas fúteis, inúteis e desadequadas
de modo a retardar um processo irreversível, para além de despropositado e aumentar
o sofrimento e desconforto do doente sem nenhum benefício, é tão eticamente
reprovável como a eutanásia.
Já na Grécia, Hipócrates aconselhava os médicos a não esgotarem a sua arte
junto dos moribundos e a não tentarem vencer um mal incurável. Assim, não corriam o
risco de desacreditar a medicina (AHYA et al 2000).
Em Cuidados Paliativos, deve, portanto, haver uma interligação harmoniosa entre
os cuidados técnicos e as relações humanas, adaptando estes dois aspectos às
necessidades de cada indivíduo.
Certos tratamentos usados com fins curativos, podem ser também usados com
fins paliativos como sejam o caso da cirurgia, da quimioterapia, da radioterapia ou
da hormonoterapia até ao momento em que deixem de constituir algum benefício para
o doente oncológico.
Nos últimos dias de vida, a preocupação de cuidar, deve substituir a preocupação
do tratar.
Neste cuidar ou ajudar a morrer, está implícita a capacidade de saber estar
perto, mostrar cordialidade, ternura e solidariedade, a fim de ajudar o doente a encontrar
um sentido para a sua própria morte, pois o doente tem o direito de morrer em paz e
viver a sua própria morte (SANTOS, 1998).
-EUTANÁSIA Quando se fala de Cuidados Paliativos e de doentes terminais, é
inevitável que se fale de eutanásia como a maneira mais fácil e prática de aliviar o
sofrimento físico e psíquico da última etapa da vida.
Etimologicamente, eutanásia significa
boa morte. Contudo, este significado está
muito distante do que o que se entende actualmente por esta expressão.
Segundo BARON (1996), eutanásia significa o acto deliberado de por fim à vida,
por administração de agente letal (eutanásia activa) ou por omissão deliberada de
um cuidado devido e necessário para a cura ou sobrevivência de um doente
(eutanásia passiva), quer a seu pedido quer a pedido dos familiares, constituindo crime ao
abrigo do Código Penal Português.
Os Cuidados Paliativos recusam-se a provocar intencionalmente a morte,
esforçando-se por preservar a melhor qualidade de vida possível até ao fim (AHYA et al,
2000), considerando o doente como um ser vivo num processo evolutivo natural que
culmina inevitavelmente na morte, pelo que a intervenção humana no decurso desse
processo é moral e eticamente inaceitável.
O profissional de saúde deve capacitar-se dos princípios naturais reguladores da
vida aceitando esse fim inevitável com naturalidade e ajudar o doente a morrer com
dignidade e tranquilidade.
3. A ATITUDE E O COMPORTAMENTO DO ENFERMEIRO PERANTE O
DOENTE ONCOLÓGICO EM FASE TERMINAL
As atitudes que temos perante determinados assuntos, pessoas ou situações
podem influenciar ou não o comportamento humano.
Segundo AHYA et al (2000), quando se cuida de doentes oncológicos em fase
terminal, as atitudes de receptividade e de partilha determinam os comportamentos
do enfermeiro como seja a sua capacidade de escuta.
Todas as nossas atitudes comunicam, muitas vezes de forma não verbal, o que
vivemos no nosso interior. Atitudes como o olhar, a presença, um gesto ou o tocar
funcionam como elementos fundamentais para proporcionar conforto ao doente muitas
vezes mais que as palavras.
O termo atitude faz parte do nosso vocabulário corrente, embora seja um conceito
do domínio psico-sociológico confundindo-se muitas vezes com outros conceitos
como comportamento, actuação ou aptidão.
3.1. ATITUDE - CONCEITO E DIMENSÕES
Para Machado citado por GOMES (1993), os problemas começam pela definição
do conceito devido à sua ambiguidade terminológica.
Assim, sob o aspecto etimológico, aceita-se que a palavra atitude vem do
francês attitude que deriva do italiano
attitudine do latim aptitudine, que significa aptidão.
Contudo, em português a definição de aptidão é diferente do conceito de atitude.
A primeira significa capacidade, habilidade, qualidade do que é apto enquanto
atitude corresponde a postura, posição, uma predisposição mental confundindo-se
muitas vezes com o comportamento (ou conduta) que se tem em certas circunstâncias.
Segundo GOMES (1993) a palavra atitude aparece no vocabulário científico da
psicologia experimental, nas obras dos fundadores da Escola de Wurzburg sobretudo
nos trabalhos de Oswald Kulpe (1862-1915).
Num sentido científico, e para Thomas e Alaphilippe, citados pela mesma autora,
atitude designa um estado mental que predispõe a agir de uma determinada maneira
quando a situação implica a presença real ou simbólica do objecto.
Opinião complementar é expressa por Myers (citado por GOMES, 1993)
referindo-se à atitude como uma reacção de avaliação, favorável ou desfavorável, relativamente
a alguém ou algo, que expressamos através de crenças, sentimentos ou
comportamentos que pensamos ser adequados.
Ou seja, este significado, atribuído ao termo atitude, poderá ser encarado como
uma prontidão para responder favorável ou desfavoravelmente a um determinado
referente sempre que este se apresente.
Assim, e de forma a compilar a opinião dos autores atrás referidos, poderemos
entender atitude como a maneira característica de pensar, sentir ou comportar-se em
relação a um objecto, pessoa ou grupo de pessoas.
Muitos autores, entre os quais Thomas e Alaphilippe citados por GOMES (1993),
consideram a atitude um estado mental que predispõe a agir de uma determinada
maneira. Implica a presença de três dimensões:
-Dimensão Afectiva - ligada às emoções, sendo constituída por uma atracção
ou repulsa sentida pelo sujeito em relação a um objecto num contínuo que vai desde
o desejável ao indesejável, o que dá uma direcção a favor ou contra e uma
intensidade mais ou menos favorável.
-Dimensão Cognitiva - está relacionada com aquilo que sabemos, ou julgamos
saber, sobre o estímulo, ou seja, às características que lhe atribuímos.
-Dimensão Comportamental também designada por psicomotora ou volitiva - diz
respeito às intenções (tendências de comportamento) ou decisões relativas a acções
e está ligada a priori às duas dimensões anteriores.
3.2. ATITUDES E COMPORTAMENTOS
Como se verificou anteriormente, o termo atitude confunde-se muitas vezes com
outros conceitos entre os quais, e o mais vulgar, é o comportamento.
O GRANDE DICIONÁRIO MULTIMÉDIA DA LÍNGUA PORTUGUESA (1996)
define comportamento como procedimento; forma de proceder; conjunto de
reacções observáveis no homem e nos animais, resultantes da experiência individual anterior
e que não são estereótipo da espécie.
O comportamento pressupõe acção pelo que é pertinente colocar-se a seguinte
questão: As atitudes influenciam as acções ou são estas que influenciam as primeiras?
Festinger, em 1957, terá sido dos primeiros a questionar se a mudança de
atitudes leva à mudança de comportamentos.
Os seus estudos vieram demonstrar que afinal as atitudes é que se modificam
em função das acções.
Também Kurt Lewin, citado por GOMES (1993), nos seus estudos, demonstrou que
se podem modificar as acções na condição de modificarem primeiro as atitudes.
Mas então porque é que por vezes actuamos contra as nossas atitudes e outras
vezes a favor?
A razão, segundo GOMES (1993) é que as nossas atitudes são complexas, são
simultaneamente estáveis e susceptíveis de mudar. Surgem como forma de reacção
secundária, que tem por função orientar o comportamento através das estimulações
internas e do meio.
As atitudes são inferidas e não directamente observadas pressupondo-se que
são factores importantes na previsão dos comportamentos. A atitude exprimirá a
orientação global, positiva ou negativa, em relação ao objecto de representação. Ela
será uma organização duradoura de processos, que se relaciona com o mundo do
indivíduo, que prepara a acção.
Myers citado por aquela autora, apresenta várias particularidades em relação às
atitudes que justificam aquela ideia destacando as seguintes:
-Quando actuamos de forma rotineira e habitual, as nossas atitudes parecem ter
um papel insignificante e despercebido nesse tipo de acções;
-Quando se faz com que a pessoa tenha "consciência de si", isto é, que afinal
esteja consciente dos seus actos, está-se a favorecer a coerência entre atitudes e acções;
-As atitudes que estão enraizadas na experiência são mais resistentes à mudança
e predizem as nossas acções futuras com menos probabilidade de erro;
-Contrariamente às atitudes formadas de forma passiva, aquelas que se formam
através da experiência, são mais estáveis no tempo, mais resistentes aos ataques
externos, mais definidas e firmes;
-Os indivíduos têm maior propensão para agir de acordo com as suas atitudes
pessoais quando os seus próprios interesses estão em jogo.
A maior evidência que as atitudes podem ou não mudar os comportamentos ou
vice-versa é o facto das pessoas fumarem tendo plena consciência que é prejudicial
à saúde podendo provocar o cancro e a morte, ou o facto de ser arriscado
conduzir alcoolizado, podendo inclusivé ser-se multado ou preso, e muitas pessoas não
se absterem de beber antes de conduzir.
3.3. ATITUDES E COMPORTAMENTOS DO ENFERMEIRO EM CUIDADOS PALIATIVOS
O enfermeiro como pessoa que é, e por ser o profissional de saúde que passa
mais tempo em contacto com o doente, partilha de uma variedade de sentimentos
acerca do sofrimento e da morte, pelo que necessita de estar preparado para compreender
e cuidar do doente oncológico em fase terminal na sua globalidade.
Para MARQUES et al (1991), a forma como cada profissional encara estas
situações, depende da sua estabilidade emocional, da sua atitude face à morte e à doença e
das suas experiências pessoais prévias.
É, no entanto, comum encontrar profissionais que, incapazes de se libertarem do
seu próprio medo da morte, do cancro, adoptam uma atitude de defesa ou de
identificação com o doente apresentando dificuldade em se relacionar.
Estas atitudes traduzem-se numa relação distante, fria, desumanizada,
constituindo um entrave para a relação de empatia e compreensão, podendo influenciar a
motivação e a satisfação face ao trabalho com doentes terminais, assim como a
capacidade de planear e de prestar cuidados a estes doentes.
Segundo os mesmos autores, paralelamente, os profissionais de saúde adoptam
muitas vezes mecanismos de protecção e defesa, como: negação da
situação, distanciamento, manutenção de relações superficiais com os doentes, instituição
de rotinas e protocolos, sem ter em conta as características particulares de cada
doente, argumentação de falta de tempo e de disponibilidade para ouvir e estar junto
dos doentes. Frequentemente são adoptadas estratégias de fuga com a ideia que
"não há mais nada a fazer!".
Estas atitudes acontecem porque os enfermeiros por vezes sentem dificuldade
em conciliar o ideal profissional de tratar ou curar e as limitações impostas pela realidade.
Situações como estas, surgem dado o objectivo da medicina ser, em geral, a cura
da doença e consequentemente o adiamento da morte, cada vez mais exacerbado
por culpa do avanço tecnológico e de descobertas científicas quase diárias o que,
segundo RIBEIRO (1995), leva a uma cada vez mais valorização da doença como objecto
de intervenção esquecendo-se o doente.
Esta prática é típica do modelo de tratar (biomédico) que é adoptado por um
grande número de enfermeiros cada vez mais seduzidos pelo fascínio da tecnologia
desvalorizando o modelo orientador da actuação em Enfermagem que é o cuidar.
AHYA et al (2000) consideram que cuidar significa
"acolher o outro, ir ao seu encontro, ousar a comunicação, numa abertura de espírito feita de tolerância; de calor
humano; de autenticidade". Verificamos, frequentemente, que mesmo em Serviços onde não
é predominante a técnica, existe a preocupação por parte dos enfermeiros em
executar rotinas respeitantes a cuidados físicos e decorrentes de prescrições médicas "
(...) com vista a despachar as tarefas, numa clara identificação com o modelo
biomédico" (RIBEIRO, 1995).
AHYA et al (2000) defendem que deve haver uma dupla motivação em Cuidados
Paliativos: primeiro a que conduz a ser enfermeiro e depois aquela que leva a
trabalhar em Cuidados Paliativos pelo que "não é desejável que um enfermeiro seja
transferido ou colocado num Serviço onde existam predominantemente doentes terminais
sem ser por sua opção" pelo que é de considerar que enfermeiros que optaram pelo
Serviço onde exercem funções poderão apresentar atitudes diferentes perante o
doente oncológico em fase terminal comparativamente a enfermeiros que exerçam
funções num Serviço por imposição.
Para além de uma escolha pessoal, trabalhar numa Unidade de Cuidados
Paliativos ou num Serviço onde exista um número significativo de doentes terminais
subentende um empenhamento e uma dinâmica de trabalho facilitadora.
Apesar da motivação que o enfermeiro deve ter para cuidar de doentes terminais,
na opinião de MARQUES et al (1991), estes profissionais poderão defrontar-se com
situações geradoras de stress, podendo experimentar reacções emocionais de
impotência, culpa, frustração, medo, ansiedade, angústia, insegurança, revolta ou
embaraço, assim como perturbações somáticas, à medida que são confrontados com a
realidade do sofrimento, da morte e da doença terminal.
A mesma opinião é partilhada por GOMES (1992) que para além daquelas
reacções considera que podem igualmente surgir alguns comportamentos e atitudes, como:
dificuldade de concentração, fadiga, agressividade, sinais de desmotivação,
absentismo, desejo de mudança de serviço, comportamentos de fuga, alcoolismo e
conflitos familiares.
Esta sintomatologia não se instala de um dia para o outro, mas surge segundo
um processo constituído por várias fases como defendem Edelwich e Brodsky, citados
por DUBREUCQ (1989):
A primeira fase - Caracterizada pelo entusiasmo idealista exagerado. É mais
frequente nos jovens diplomados, mas pode verificar-se noutros momentos da vida
profissional. É um período em que há muitas esperanças, quase irreais, em que as
expectativas são muito elevadas. A pessoa despende energia em muitas tarefas, levando-as
a bom termo. Os que o rodeiam inquietam-se porque consideram exagerado.
A segunda fase - A eficácia começa a marcar passo e surgem os sinais de fadiga.
Marcada pela estagnação, a pessoa parece ficar vazia. Apesar dos esforços o
rendimento diminui. A profissão, que parecia realizar a pessoa, já não oferece tanta
satisfação. Começam as primeiras queixas psico-somáticas e a tentativa de remedeio.
A terceira fase - Surge o sentimento de frustração. A realidade não é tão
gratificante como se tinha esperado, surgem as interrogações sobre a eficiência e utilidade
da profissão. O enfermeiro não avança nos seus empreendimentos. Toma-se irritável
com perturbações somáticas e emocionais.
A quarta fase -A apatia. Deslocar-se ao trabalho torna-se uma obrigação pesada
à qual não se pode subtrair, nem que seja apenas por razões económicas.
Doravante procura fazer o menos possível. Paralelamente vai-se desenvolvendo a resistência
à mudança. Tudo o que possa vir ameaçar uma rotina segura é cuidadosamente
mantido à distância. Nesta fase já nada funciona bem, nem o trabalho, nem a vida
pessoal, nem tão pouco a saúde.
Para além dos comportamentos e atitudes explicadas em parte pelas fases
anteriores, a prestação de cuidados a doentes terminais pode provocar igualmente
manifestações de ansiedade.
Ao debruçar-se sobre este tema, Harper citado por RODRIGUES (1999),
desenvolveu uma escala, de progressão e crescimento esquemático da forma, como os
profissionais enfrentam a situação:
Estádio I: Intelectualização -Conhecimento
e ansiedade
Na primeira experiência do enfermeiro face ao doente terminal, aquele focaliza a
sua atenção sobre os conhecimentos de índole profissional e factual, ou sobre
assuntos de carácter filosófico.
Nesta fase os contactos com os doentes terminais, tendem a ser superficiais e
impessoais.
A morte é ainda inaceitável para o enfermeiro. Surgem períodos de grande
ansiedade, na medida que tenta resolver as suas inquietações pela compreensão do meio
ambiente, das políticas e dos procedimentos específicos.
Estádio II: Sobrevivência emocional - Trauma
Neste estádio o enfermeiro tende a sentir-se frustrado e culpado. Na medida em
que enfrenta a realidade da morte final e inexorável dos seus doentes, passa a enfrentar
o espectro da sua própria morte.
Ao compreender que o sofrimento dos doentes e a sua própria morte são
inevitáveis, transita de uma fase de intelectualização para uma fase de envolvimento emocional.
Estádio III: Depressão -Dor, desgosto
e pesar
É o principal estádio na medida que permite, ou não, a resolução dos conflitos e
a progressão, ou a regressão no processo de "adaptação".
O enfermeiro ou aceita o desenrolar da evolução terminal e a inevitabilidade da
morte, ou tem de abandonar a instituição ou o serviço por inadaptação. A aceitação
provém de um período de dor e de pesar.
Estádio IV: Desenlace emocional -Moderação, adaptação
e acomodação
Este estádio é marcado por uma sensação de liberdade emocional, na medida em
que o enfermeiro já não se identifica com os sintomas do doente e não apresenta sinais
de depressão, ou preocupação com a sua própria saúde ou morte física. Isto não
significa que não sinta dor psicológica, ou pensar, quando cuida de doentes terminais.
Pelo contrário, ele é capaz de demonstrar empatia, em vez de simpatia, na medida em
que pode ver o mundo através dos olhos do doente, em vez de o intelectualizar pelos
seus próprios olhos.
Estádio V: Compreensão profunda, auto-realização, auto-capacidade
e actualização
Este estádio constitui o culminar dos anteriores, na medida em que o enfermeiro
desenvolveu as suas capacidades de encarar a situação. Ele já consegue
relacionar-se com o doente terminal, de uma forma profunda, numa perspectiva de completa
aceitação da sua morte.
A sua preocupação está canalizada para uma vertente humana e profissional
das necessidades.
Nesta perspectiva, HENRIQUES et al (1996) lembram-nos que, assistir ao
doente moribundo, confronta-nos com sentimentos em relação à morte e ao morrer:
"Faz-nos recordar pessoas queridas, que morreram. Surgem-nos sentimentos de
insegurança, revolta, impotência perante a situação, e mesmo uma agressividade interior; que
nos esforçamos a ignorar; assim como o sentimento de fracasso, que a morte por si
representa".
Aqueles autores consideram, ainda, que surge o medo em investir afectivamente,
com medo em magoarmo-nos, "sendo mais fácil deixar morrer; que ajudar a morrer".
Somos tentados a negar tanto a gravidade do estado de saúde, como o
sofrimento. Agarramo-nos a técnicas e a tratamentos descurando o apoio ao doente. As
visitas tomam-se cada vez mais curtas e rápidas, quando pelo contrário devem ser
intensificadas.
Na fase terminal da doença é necessário estar junto do doente, ouvir o que ele
quer dizer e escutar o que ele não consegue falar. O enfermeiro deve desenvolver a
capacidade de escuta ou escuta atenta.
O enfermeiro através da escuta atenta pretende, em relação ao doente,
manifestar-lhe que ele é importante; permitir-lhe identificar as suas emoções.
Esta ideia é partilhada por CIBANAL (1991) que defende que escutar é constatar
não só através do sistema auditivo mas também aceitar o facto de se deixar
impregnar pelo conjunto das percepções externas e internas, daí que se pode considerar
que escutar é diferente de ouvir.
Escutar é um processo activo e voluntário enquanto ouvir se limita à utilização
do sistema auditivo.
Na fase terminal da doença, sentarmo-nos ao lado do doente, mostrar que não
o abandonamos e que vamos ficar com ele até ao fim, é tão importante como
aliviar todos os pequenos desconfortos.
É frequentemente difícil dizermos alguma coisa. As palavras parecem vazias e
desprovidas de conforto. No entanto não é preciso falar, se não formos capazes, basta
a nossa presença assídua (HENRIQUES et al, 1996).
Como se constata, o trabalho com doentes terminais não é fácil, requerendo
maturidade pessoal e profissional que só poderá ser adquirida através da experiência e
da formação.
A formação desmascara as ilusões de "todo poderoso" ou de "salvador", os
pressupostos e garante um profissionalismo na acção.
Para AHYA et al (2000), "os enfermeiros que exercem a sua arte junto de
pessoas gravemente doentes, não podem contentar-se em ficar apenas com aquilo que
aprenderam: devem, regularmente, actualizar as suas práticas e os seus
conhecimentos (...)."
Esta organização considera que para proporcionar Cuidados Paliativos, é
necessário ter beneficiado de uma formação ou, pelo menos, de uma sensibilização para
acompanhamento do doente terminal, bem como regularmente procederem à
actualização das suas práticas e dos seus conhecimentos.
Esta formação poderá efectuar-se através de:
-Um aporte de conhecimentos técnicos, científicos e conceptuais (leitura de livros
e revistas especializadas);
-Confronto de ideias e práticas com outros profissionais ou associações;
-A participação em jornadas, conferências ou simpósios.
A formação passa também por reflexões individuais como questionar "o que eu
sei fazer"; "0 que eu conheço"; "o que devo desenvolver".
Opinião idêntica é partilhada Blandine Beth, citada por PIMENTEL (1993), que
dá igualmente realce à necessidade de formação por parte dos enfermeiros que
lidam com o doente oncológico e, particularmente, com doentes terminais. Mostra-nos
que se devem aprofundar os conhecimentos em três direcções:
-No sentido de uma reflexão pessoal, sobre os aspectos relacionados com a
problemática da vida e da existência humana dos aspectos éticos que a envolvem, e sobre
o real desejo ou motivação para o acompanhamento;
-No sentido de um melhor conhecimento da Psicologia, que permita evitar
algumas "armadilhas" de projecção, de reacção, bem como de melhor descodificar
linguagem simbólica do doente oncológico;
-No sentido de uma sólida formação técnica, fundamental para quem trata este tipo
de doentes, pois o doente que sofre, que tem dor ou outros sintomas físicos
intoleráveis, não tem "disponibilidade" para falar de outra coisa do que daquilo que lhe ocupa a
sua mente e lhe preenche o espírito.
AHYA et al (2000) consideram mesmo que a formação é o meio indispensável e
obrigatório de entre todos aqueles de que dispomos para manter e melhorar as
nossas competências.
Os mesmos autores defendem ainda que os enfermeiros que exercem a sua
actividade junto de doentes terminais "não podem contentar-se em ficar apenas com
aquilo que aprenderam: devem, regularmente, actualizar as suas práticas e os seus
conhecimentos".
A título conclusivo, podemos afirmar que os enfermeiros que cuidam de
doentes oncológicos em fase terminal devem ter confiança em si mesmos e na
capacidade para suprirem as suas próprias preocupações, necessidades e desejos a fim de
se concentrarem nos problemas dos doentes, conscientes do desgaste físico e
emocional que isso implica que só se consegue ultrapassar com maturidade pessoal e
profissional adquirida através da experiência e da formação.
Para além de uma formação técnica adequada, são necessárias qualidades que
se podem aprender e treinar mas que não se compadecem com vulnerabilidades
pessoais.
CONCLUSÃO
Ao concluirmos este trabalho, fica a noção que as atitudes e os comportamentos
que adoptamos como pessoas e como enfermeiros são de importância fulcral para
uma prática diária adequada com qualquer doente e em especial com o doente terminal
e sua família que não podemos alhear do cuidar.
Apesar de ser uma temática um pouco difícil de abordar pela escassez de
bibliografia existente, esperamos que este trabalho suscite, a quem o leia, preocupação e
sensibilidade para a realização de outros estudos ou mesmo trabalhos de investigação
acerca das atitudes e dos comportamentos dos enfermeiros perante o doente
oncológico em fase terminal.
Consideramos, ainda, ter atingido, na globalidade, os objectivos propostos.
Fundamentalmente fica a satisfação e o enriquecimento dos nossos
conhecimentos como pessoa e como profissional de enfermagem tendo como único objecto O
DOENTE TERMINAL.
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