A quimioterapia é uma modalidade de tratamento sistémico do doente oncológico, mais recente que a cirurgia e a radioterapia.
A quimioterapia consiste no emprego de substâncias químicas, isoladas ou em combinação, com o objectivo de matar as neoplasias malignas (BONASSA, 1998).
“Existem evidências da utilização de drogas quimioterápicas sob a forma de sais metálicos como o arsénico, o cobre e o chumbo em civilizações antigas do Egipto e da Grécia” ( BONASSA, 1998, p.3 ).
Ainda segundo a mesma autora, os primeiros registos de tratamento quimioterápico efectivo surgiram no final do século passado com a descoberta da solução de Fowler (arsenito de potássio) por Lissaver (1885) e da tóxina de Coley (combinação de produtos bacterianos) em 1890.
Há cerca de 50-60 anos era realmente ilusório pensar no tratamento do cancro por outros meios, além dos sintomáticos e tónicos gerais da cirurgia e da radioterapia.
No inicio dos anos 40 surgiram os primeiros resultados satisfatórios com o uso de hormonas no tratamento de carcinomas da próstata e mama.
Foi durante a 2ª guerra mundial que se deu a descoberta dos agentes alquilantes e dos seus efeitos terapêuticos.
Em Dezembro de 1943, um ataque aéreo alemão destruiu um depósito de gás-mostarda americano em Bari, Itália, dando origem a mielodepressão intensa entre o grupo de indivíduos contaminados. Este acontecimento, despertou a atenção de um grupo de farmacologistas clínicos ao serviço do Pentágono.
Com a finalidade de produzir resultados terapêuticos, a droga foi então administrada num doente portador de linfoma maligno avançado e, surpreendentemente, assistiu-se a uma regressão tumoral importante, porém de curta duração. Nessa mesma época, importantes descobertas na área da nutrição e antibioterapia, vieram possibilitar suporte clinico mais eficaz aos doentes oncológicos (BONASSA, 1998).
De acordo com a mesma autora, na década de 40, Sidney Farber constatou alguns casos de remissão temporária de Leucemia Linfoblástica Aguda em crianças, com o uso da aminopterina.
Também “nos anos 50 foram identificados os primeiros antibióticos com actividade anti-tumoral” (BONASSA,1998, P.3).
Nas décadas que se seguiram pôde-se observar um rápido desenvolvimento da
quimioterapia anti-tumoral, com a descoberta de novas drogas.
Actualmente, as pesquisas continuam, no intuito de desenvolver novos agentes, contudo a ênfase maior reside na descoberta de substâncias análogas às já conhecidas, com efeitos tóxicos menos agressivos, sobretudo ao coração, pulmões, rins e sistema nervoso (BONASSA, 1998).
O tratamento com citostáticos, tem como finalidades: conseguir a regressão do tumor ou de metástases; fornecer ao doente a cura, ou o controle da doença, melhorar a qualidade de vida do doente.
A introdução da mostarda nitrogenada em 1948, pode ser considerada como o início da era moderna da quimioterapia (BLACK e MATASSARIN-JACOBS, 1996).
Nas décadas de 60 e 70 inicia-se a era da quimioterapia científica, com o conhecimento da cinética celular e da acção farmacológica das drogas (AZEVEDO, 1989). É nesta época é introduzida a poliquimioterapia.
Actualmente, as investigações continuam, no sentido de descobrir drogas menos tóxicas e mais activas, com um melhor índice terapêutico.
São drogas que actuam a nível celular interferindo no seu processo de crescimento e divisão. A maioria dos agentes antineoplásicos não possui especificidade, ou seja, não destrói selectiva e exclusivamente, as células tumorais. São, por isso, tóxicos para os tecidos sãos.
Portanto, o objectivo primário da quimioterapia é a destruição das células neoplásicas, preservando as normais (MURAD, 1996).
A quimioterapia (ou terapia por drogas antineoplásicas ou citotóxicas) é a terapia de eleição para cancros do sistema hematopoiético e tumores sólidos, que apresentam metástases regionais ou à distância (BENDER, 1997).
Podem ser considerados quatro tipos de quimioterapia dependendo do seu objectivo: quimioterapia neo-adjuvante, quimioterapia adjuvante, quimioterapia curativa e quimioterapia paliativa (AZEVEDO, 1989; MURAD e KATZ, 1996).
Surge como a primeira arma terapêutica, previamente a outras modalidades terapêuticas loco-regionais, como a cirurgia ou radioterapia. É aplicada a doentes com tumores de grande extensão, com o objectivo de obter a redução da massa tumoral. Torna assim mais efectiva a radioterapia posterior e permite uma cirurgia mais conservadora. Pretende-se ainda uma diminuição dos sinais e sintomas da doença, a fim de avaliar a sensibilidade às drogas citostáticas, destruindo prováveis micrometástases (AZEVEDO, 1989; MURAD e KATZ, 1996).
É uma quimioterapia de altas doses, habitualmente combinada, administrada no período pré ou pós-operatório com o objectivo de diminuir o tamanho do tumor, possibilitando a cirurgia (CASEIRO et al, 1997).
Esta modalidade sofreu um grande desenvolvimento nas décadas de 70 e 80, época em que foi introduzido o conceito de terapêutica multidisciplinar.
Nesta modalidade, a quimioterapia é administrada depois da remoção cirúrgica ou depois da radioterapia. O objectivo é a destruição de micrometástases que se pensa poderem estar presentes, mas que são demasiado pequenas para serem detectadas (HOGAN, 1990).
É por isso utilizada em doentes com alto risco de recidivas. A selecção dos doentes para quimioterapia adjuvante é feita em função do estadiamento, invasão linfática e venosa e grau de diferenciação histológica, sendo a importância destes três factores variável, dependendo do tipo de neoplasia (AZEVEDO, 1989).
É uma quimioterapia de altas doses, habitualmente combinada, administrada a doentes sem evidência de neoplasia residual, após cirurgia ou radioterapia, com intenção de destruir um baixo número de células neoplásicas residuais (CASEIRO et al, 1997).
A quimioterapia curativa é a forma terapêutica mais nobre na área da quimioterapia geral, dado que é aplicada como recurso terapêutico de primeira linha e não de forma subsidiária.
Esta modalidade em quimioterapia é considerada como a única arma terapêutica de, por si só, curar determinadas neoplasias (BONASSA, 1998).
Os tumores considerados curáveis ou com uma sobrevida prolongada são, entre outros: tumores trofoblásticos gestacionais, tumor de Burkit, tumores testiculares, leucemia linfoblástica aguda, rabdomiossarcoma em crianças, tumor de Wilms, linfoma não-Hodgkin e linfoma histiocítico.
É assim denominado o tratamento que pretende aumentar a sobrevida e/ou permitir uma melhor qualidade de vida (alívio dos sintomas como a dor e obstrução).
A quimioterapia paliativa, é necessária quando há disseminação da doença oncológica, e com ela obtêm-se resultados muito variados, de acordo com a sensibilidade dos diferentes tipos histológicos de tumores (AZEVEDO, 1989).
Trata-se de uma quimioterapia administrada para controle de sintomas ou prolongar a vida, num doente em que a cura não é possível (CASEIRO et al, 1997).