IMUNOTERAPIA
A imunoterapia, ou bioterapia, pode definir-se, segundo RIEGER (2000), como o tratamento através de agentes (que derivam em maioria de fontes biológicas como o genoma mamífero).
O National Cancer Institute’s - Division of Cancer Treatement define os modificadores da resposta biológica como agentes ou abordagens que alteram a relação entre o tumor e o hospedeiro pela modificação da resposta biológica do hospedeiro às células do tumor com efeito terapêutico resultante.
Para aquela autora a imunoterapia pode dividir-se em duas abordagens: activa e passiva.
A imunoterapia activa consiste na aplicação de agentes hospedeiros com origem no tumor que são concebidos para criar uma resposta imunitária capaz de retardar ou eliminar o crescimento tumoral.
Pode ser específica se a imunização for efectuada com células do tumor ou extractos de células tumorais simples ou em vacinas (ex: anticorpos monoclonais) ou não específica quando existe uma tentativa de melhorar a imunidade total através do uso de adjuvantes como os extractos bacterianos (ex: BCG).
A imunoterapia passiva pode ser definida como a administração ou transferência de reagentes imunológicos previamente sensibilizados (que contêm anticorpos sensíveis) ou células imunitárias de reacção ao hospedeiro com origem no tumor, provocando directa ou indirectamente, respostas antitumorais.
Principais agentes utilizados
Os principais agentes, ou modificadores da resposta biológica, utilizados em imunoterapia, são as interleucinas, os interferões, os factores de crescimento hematopoiético e os anticorpos monoclonais (RIEGER, 2000).
Interleucinas
As interleucinas são uma família de polipeptídeos produzidas por linfócitos e monócitos
Têm a capacidade de modular o sistema imunitário através da alteração de comunicação entre células tumorais e células imunes
Outra das suas acções consiste na regulação do sistema imunitário por estimulação, restabelecimento ou restrição da actividade imunitária. Promovem ainda a estimulação da hematopoiese
São conhecidas 15 moléculas mas apenas a interleucina 2 têm uma actividade citotóxica importante
A interleucina 2 (IL-2) ou aldesleucina é uma glicoproteína produzida pelas células auxiliares T e está aprovada pela US FDA (United States Food and Drug Administration) para o carcinoma de células renais metastizado. (RIEGER, 2000). É utilizada igualmente, em combinação com outras drogas, no melanoma.
O seu efeito antineoplásico é exercido através de acções indirectas sobre o sistema imunitário, estimulando os linfócitos T, as células NK e os linfócitos B
Provoca uma destruição selectiva das células neoplásicas sem destruição das células normais
A sua administração é efectuada por via intravenosa directa ou perfusão contínua.
Interferões
Os interferões (IF) são glicoproteínas produzidas pelos linfócitos (IF alfa); fibroblastos (IF beta) e células T, NK, monócitos e macrófagos (IF gama)
Possuem a particularidade de se ligarem a receptores específicos da membrana celular estimulando a célula através da indução da síntese proteica conduzindo a inibição da replicação viral; supressão da proliferação celular; imunomodulação; aumento da fagocitose, da citotoxicidade linfocitária e da capacidade antigénica leucocitária.
São administrado por via intramuscular ou subcutânea encontrando-se as principais indicações terapêuticas enumeradas no quadro seguinte:
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Interferões |
Indicações terapêuticas |
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Interferão alfa |
· Tricoleucemia (leucemia de células pilosas) · Leucemia mielóide crónica em fase crónica |
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Interferão alfa2A |
· Tricoleucemia (leucemia de células pilosas) · Sarcoma de Kaposi · Leucemia mielóide crónica com cromossoma Filadélfia positivo · Linfoma cutâneo de células T · Linfoma não-Hodgkin de baixo grau · Carcinoma avançado de células renais |
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Interferão alfa2B |
· Tricoleucemia (leucemia de células pilosas) · Sarcoma de Kaposi · Leucemia mielóide crónica · Linfoma cutâneo de células T · Mieloma múltiplo · Melanoma maligno · Carcinoma basocelular · Linfoma não-Hodgkin de baixo grau |
Factores de Crescimento Hematopoiético
Os factores de crescimento hematopoiético são uma família de hormonas glicoproteicas que actuam de maneira hierárquica possuindo funções reguladoras nos processos de proliferação, diferenciação e activação funcional das células progenitoras hematopoiéticas e células sanguíneas maduras.
Consoante as células que são estimuladas podemos dividi-los em:
- Factores estimuladores das colónias de granulócitos (G-CSF)
- Factores estimuladores das colónias de granulócitos e macrófagos (G M-CSF)
- Factores estimuladores da eritropoiese (eritropoietina alfa)
A administração é efectuada por via endovenosa ou subcutânea e tem como objectivos:
- Diminuir a mielossupressão e incidência de neutropenia febril
- Aumentar a sobrevida permitindo aos doentes receber maior quantidade de quimioterapia e aumentar a frequência dos ciclos
- Acelerar a recuperação da medula óssea após transplante
- Suportar a colheita de células sanguíneas periféricas indiferenciadas
- Recuperar a função da medula óssea na anemia aplásica
- Tratar a leucemia pela promoção da maturação de células terminais
- Diminuir a necessidade de transfusões e seus riscos (eritropoietina)
- Tratar a mucosite oral – bochechos com os GM-CSF
Anticorpos Monoclonais
Os anticorpos monoclonais são produzidos por fusão de células produtoras de anticorpos e células tumorais de mieloma para um antigénio-alvo específico na superfície (epitopos) das células tumorais.
Os mais utilizados são o Trastuzumab, para o tratamento da neoplasia da mama metastizada e o Rituximab indicado para o Linfoma não Hodgkin de células B de tipo folicular no estádio III-IV, resistente à QT ou recidivante.
EFEITOS SECUNDÁRIOS MAIS FREQUENTES - ACÇÕES DE ENFERMAGEM
Em imunoterapia, e perante a possibilidade da ocorrência de efeitos indesejados, existem acções de enfermagem gerais que passam por informar o doente para a possibilidade de ocorrerem efeitos secundários e pela necessidade de o doente informar o enfermeiro se verificar o aparecimento de sinais e sintomas não habituais.
Para além disso, sempre que se verificar algum sinal de toxicidade, deve-se interromper imediatamente a administração do fármaco.
Segundo RIEGER (2000) os efeitos secundários mais importantes derivados da administração dos modificadores da resposta biológica, bem como as acções de enfermagem específicas, encontram-se descritos no quadro seguinte:
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Fármacos |
Efeitos secundários |
Acções de enfermagem |
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Interleucina 2 |
· Estado confusional · Síndrome gripal (arrepios, febre, diafurese, cefaleias, mal estar geral, mialgias, artralgias e fadiga) · Aumento de peso durante a terapêutica seguida de perda de peso · Hipotensão · Edema · Diminuição da resistência vascular sistémica · Oligúria · Náuseas e Vómitos · Diarreia · Mucosite · Anorexia · Erupção cutânea · Descamação seca · Eritema · Prurido · Reacção inflamatória nos locais de injecção · Anemia, linfopenia e eosinofilia · Impotência e diminuição da libido |
· Avaliação de estado de consciência · Avaliação de temperatura · Administração de antipiréticos e analgésicos em SOS · Vigilância diária de peso e instituição de dieta apropriada · Monitorização de TA e pulso · Diurese/Balanço hídrico · Vigiar o aparecimento de sinais hemorrágicos · Ensino ao doente sobre higiene oral e cuidados à pele como a utilização de algodão ou esponjas macias, gel de banho de PH neutro, utilização frequente de loções e cremes à base de água, utilização de roupas macias · Observar regularmente o local de inserção do cateter · Ensino ao doente/família: - Avaliação de peso e temperatura no domicílio - Cuidados à pele e mucosa oral - Cuidado com administração de beta bloqueantes - podem potenciar a hipotensão |
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Interferões |
· Estado confusional · Síndrome gripal (arrepios, febre, diafurese, cefaleias, mal estar geral, mialgias, artralgias e fadiga) · Hipotensão, taquicardia e arritmia · Náuseas e vómitos · Diarreia · Anorexia · Leucopenia · Diminuição da libido |
· Avaliação de estado de consciência · Avaliação de sinais vitais · Administração de antipiréticos e analgésicos em SOS e ½ hora antes da administração · Ensino ao doente/família - Ensino à auto-administração (via subcutânea) - Avaliação de temperatura - Não deve fazer imunizações - Não fazer auto-medicação |
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Factores de Crescimento Hematopoiéticos |
§ Dor músculo-esquelética (GM-CSF e G-CSF) § Fadiga § Inflamação no local da injecção (GM-CSF e G-CSF) § HTA (Eritropietina alfa) |
· Avaliação de temperatura e TA · Administração de antipiréticos e analgésicos ½ hora antes da administração e em SOS · Ensino ao doente/família - Ensino à auto-administração (via subcutânea) - Avaliação de temperatura e TA |
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Anticorpos monoclonais |
§ Arrepios, febre, diafurese § Cefaleias § Mal-estar geral § Hipotensão, taquicardia e dor torácica § Náuseas e vómitos § Reacções alérgicas e anafilaxia |
§ Monitorização de sinais vitais |